Quando li este artigo da Martha Medeiros, me senti a personagem principal da peça a qual ela assistiu.
Me dei conta do quanto sou "escutadora" por aí a fora.
Por isso, muitas vezes desabafo no meu blog.
Mas, coincidencia ou não, o assunto em questão já me fez pensar a umas semanas atrás.
Em uma reunião de pais na escola, a "profe" do meu filho logo colocou que gostava muito de falar, fato que percebi no dia e depois, e depois e depois nas várias tentivas de dar dicas sobre o comportamento do filho nos momentos em que ela me requisitava. Ela não parava para ouvir, talvez para respirar. Parece cômico. Logo esta coluna vem para me confortar. Pois não é que é tendência?
"Semana passada esteve em cartaz no Theatro São Pedro uma peça que não trazia nenhum ator global e tampouco uma produção espetaculosa – trazia texto e ideia. A personagem principal da peça era a que menos falava. Era uma espécie de escutadora. Alguém a encontrava numa fila de banco e a escolhia para fazer confissões. Outra pessoa a encontrava num vagão de metrô e contava sua história de vida. Outra ainda a encontrava no vestiário da academia e fazia dela sua confidente sem nem ao menos saber seu nome. Simplesmente eles olhavam para ela e se sentiam confiantes para falar sobre si, para abrir o que de mais íntimo guardavam dentro. E falavam. Falavam. Falavam. Sem serem interrompidos.Vem a calhar essa reflexão numa época em que todos sonham com o papel principal, onde todos sentem necessidade de externar sua opinião, publicar seus pensamentos, conquistar seguidores para suas gracinhas. Todos falam, hoje. Ninguém mais escuta."
"Quase não há mais diálogo, aquela modalidade em que um fala e o outro escuta até o fim, e aí é a vez de o outro falar e de o outro escutar, e essa troca de ideias construir uma conversa pausada e estabelecer um laço."
""Meu ouvido não é penico", defendem-se os que não sabem praticar o silêncio tão necessário para fazer contato. Só queremos ouvir nossa própria voz."
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